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TvZero
NOITE DE PRÉ-ESTRÉIA

A premiére paraibana do documentário “A pessoa é para o que nasce” acontece em Campina Grande logo mais às 20h no Campina 4, no Shopping Iguatemi. Em João Pessoa, a pré-estréia acontecerá amanhã, às 20h na sala 5 do Mag Shopping. Apenas para convidados, as duas sessões, segundo o diretor adjunto da PBTur, Gustavo Marques de Azevedo, “contarão com a presença tanto de Roberto Berliner que é diretor do filme acompanhado de Leonardo Domingues, co-diretor e montador, quanto das irmãs campinenses, Maria, Regina e Conceição”, afirma Azevedo. Segundo Leonardo Domingues, o longa- metragem entra em cartaz nas salas paraibanas de cinema no próximo dia 15.

Maria Barbosa, Regina e Conceição saíram do anonimato das ruas de Campina Grande para o glamour das passarelas do maior evento de moda da América latina, o São Paulo Fashion Week, no último dia 4, abrindo o desfile da coleção primavera/verão da premiada marca paulista Cavalera. Para a imprensa especializada, a presença das três irmãs cegas que tocam ganzá é tão impressionante quanto vê-las numa grande tela de cinema. Descobertas pela TV Zero, em 1997, as “ Ceguinhas de Campina Grande” se tornaram foco de atenção do documentarista Roberto Berliner, que em seu primeiro longa-metragem, “A pessoa é para o que nasce” apresenta ao Brasil como a vida de três mulheres pode mudar a partir do momento em que é captada por uma câmera de vídeo. Na Paraíba, o premiére está recebendo todo o apoio do Governo do Estado.

Acompanhando Maria, Regina e Conceição desde 1977, Roberto Berliner apresenta em seu primeiro longa-metragem o universo de três irmãs cegas. De acordo com a sinopse enviada pela produção do vídeo, “elas viveram toda sua vida cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do Nordeste do Brasil, a região mais pobre do país. O filme acompanha os afazeres cotidianos destas mulheres e revela as curiosas estratégias de sobrevivência da qual participam parentes e vizinhos. Mergulha em sua história, flagrando uma trama complexa de amor e morte, miséria e arte. E acompanha, numa reviravolta inesperada, o efeito-cinema na vida destas mulheres, transformando-as em celebridades. Um filme em que diretor e personagens confrontam-se com os laços que surgem entre eles, revelando a sedução e os riscos do ofício de documentarista’, diz a sinopse. Esse efeito celebridade que está sugerido na sinopse do documentário e um ponto que merece destaque na história de vida das irmãs, que segundo o diretor do vídeo, Roberto Berliner,“elas percebem que podem sobreviver disso e de que precisam dessa badalação. Tenho conversado muito sobre o que vai acontecer depois disso tudo, mas é difícil prever. De qualquer maneira tenho muita confiança na capacidade delas em se adaptar a realidades diferentes”, comenta Berliner.

O som que um dia, lá pelo ano de 1997 foi da rua, hoje se encontra em um CD duplo que está sendo lançado paralelamente ao longa-metragem. Com texto de Bráulio Tavares, o disco representa ao mesmo tempo um documento sonoro das “Ceguinhas de Campina Grande”, assim como a revitalização e releitura por parte de artistas como Paralamas do Sucesso, Pato Fu, e Lenine, do universo musical das irmãs. O primeiro disco traz na íntegra todo o repertório original do documentário interpretado pelas irmãs. O segundo CD, como afirma Bráulio Tavares em seu texto de apresentação “mostra a fase seguinte deste processo, quando artistas profissionais retomam os temas, os refrões, os versos passados adiante por elas e os recriam, cada qual ao seu estilo e feição. Vemos aí uma colcha-de-retalhos tipicamente contemporânea”, escreve. “Releituras” conta ainda com a participação de B Negão, Mombojó, Júnior Barreto, Banda Eddie, Nervoso e Canastra, Zé Renato, Teresa Cristina, Lirinha – vocalista do Cordel do Fogo Encantado - Otto, Silvério Pessoa, Bráulio Tavares, Elba Ramalho, Lula Queiroga, Fausto Fawcett e Laufer. , 08 de Julho de 2005