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EM BUSCA DA CARA DO BRASIL

XV Cine Ceará assume a defesa da democratização do audiovisual e exibe filmes, vídeos e especiais de TV vencedores dos concursos do MinC

Em sua versão 2005, o Cine Ceará, que começa amanhã, assume a defesa das políticas para cinema e televisão projetadas pelo governo Lula, sob a coordenação do bahiano Orlando Senna, Secretário Nacional do Audiovisual. A programação do evento, um dos quatro maiores festivais do país, reúne superproduções televisivas e experimentos regionais, chancelados pelo Ministério da Cultura.

A postura do festival, sob a batuta de Wolney Oliveira, ex-aluno da Escola de Cinema de Cuba (San Antonio de Los Baños), da qual Orlando Senna foi diretor, privilegia iniciativas importantes, como os projetos Doc TV e Revelando Brasis. Os dois trazem produtos gerados por concursos públicos que resultaram, respectivamente em documentários para a televisão e na iniciação do audiovisual em pequenas cidades brasileiras.

Graças a essa decisão, cinco produções baianas, premiadas nos concursos do MinC, e dezenas de outras realizações de todos os Estados brasileiros vão ganhar visibilidade durante o evento cearense, que vai até o dia 9. Justamente nesta 15ª edição, o Cine Ceará chega à condição de debutante como o mais brasileiro dos festivais de audiovisual, como um panorama de encher os olhos.

Além da defesa das políticas públicas para o cinema e a democratização do audiovisual, o XV Cine Ceará não perde o foco no cinema feito para o grande circuito e seleciona para a competição oficial sete longas-metragens inéditos. Um painel diversificado que vai desde retratos de um país pobre, cego e otimista, como se propõe a mostrar o aguardado documentário A pessoa é para o que nasce (RJ), de Roberto Berliner, ao mergulho no cinema marginal de Ivan Cardoso, com A Marca do Terrir.

FITAS POLÊMICAS - Esses dois filmes se somam a outros cinco candidatos na principal categoria do Troféu Eusélio Oliveira, baluarte do cinema cearense e pai de Wolney Oliveira. Entre outros selecionados para a disputa estão o paulista Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach, obra premiada, há algumas semanas, no Cine PE (festival de Recife), e o já antecipadamente polêmico Quanto vale ou é por quilo?, do paranaense Sérgio Bianchi.

Bianchi já exibiu o novo rebento no eixo sul do país, é o mesmo autor de Cronicamente Inviável (2000), que elabora um discurso nem sempre aberto ao diálogo para apontar as incoerências de um país cada vez mais excludente e cruel com seus filhos malnascidos. Quanto vale ou é por quilo? faz uma analogia entre o comércio de escravos no século XVIII e pendências sócio-econômicas contemporâneas.

Outro autor prestigiado, o cineasta e diretor de fotografia Walter Carvalho, co-diretor de janela da alma e Cazuza, exibe o documentário perfil Moacir, arte bruta, em primeira mão, assim como o catarinense José Rafale Mamigonian, que mostra mais uma obra documental, o filme Seu Chico, um retrato.

O único nordestino entre os longas-metragens é a ficção paraibana Por 30 dinheiros, de Vânia Perazzo e Ivan Hlebarov. Entre os curtas-metragens em película, há fitas com boas carreiras, como Messalina, de Cristiane Oliveira, e Momento Trágico, de Cibele Amaral. Este último, por sinal, foi exibido em Salvador, há duas semanas, no Festival Cine Mulher. Mas o grande destaque mesmo é o Homem da mata, obra do pernambucano Antonio Carrilho, que tem ganhado prêmios e arrancado muitos elogios da crítica., 02 de Junho de 2005