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A VERSÃO LONGA DE UM CURTA PREMIADO

A Pessoa É para o Que Nasce discute o cinema a partir de três irmãs cegas

Em 1999, um curta de apenas seis minutos tomou de assalto diversos festivais do País e conquistou o público e os críticos com seu bom-humor, a despeito do assunto. A Pessoa É para o Que Nasce, de Roberto Berliner, trata de três irmãs cegas que ganham a vida tocando ganzá e pedindo esmolas em Campina Grande, na Paraíba. O curta chegou justamente no momento em que outros documentaristas brasileiros também estavam interessados em discutir a cegueira como metáfora, caso de João Jardim e Walter Carvalho em Janela da Alma.

O curta de Berliner venceu os festivais do Recife, do Rio e o É tudo Verdade. Antes dele, houve outra versão, minúscula, exibida no Festival do Minuto. O diretor ressurge agora com a versão longa de A Pessoa É para o Que Nasce. Já era esta a idéia, há alguns anos. O documentário longo não surgiu só do sucesso do curta nem do carisma das irmãs. Talvez Berliner desistisse, se não tivesse acolhida. Mas teve e o longa aprofunda o perfil das irmãs e ainda tem cenas de uma intensidade poética muito grande.

Elas se chamam Maria, Regina e Conceição, mas são conhecidas como Poroca, Maroca e Indaiá. A primeira desnuda-se para a câmera de Berliner e conta episódios, alguns divertidos, outros não, de sua vida afetiva. O curta transformou as irmãs em celebridades no sertão e elas foram parar em festivais de percussão com Gilberto Gil e Naná Vasconcelos, em Salvador e São Paulo. O diretor discute o cinema e interage com as personagens, mais ou menos como Evaldo Mocarzel fez em À Margem da Imagem. Seu filme tem um lado 'ensaio antropológico' muito forte, mas o que o espectador retém é a beleza misteriosa de certas cenas que o acompanham, após a projeção. L.C.M.

A Pessoa É para o Que Nasce (Br/2004, 84 min.) - Documentário. Dir. Roberto Berliner. 12 anos. Espaço Unibanco 2 - 14h30, 16h30, 18h20, 20h10, 21h50. HSBC Belas Artes-M.Andrade - 14h, 15h50, 19h40, 21h30. Cotação: Bom , 03 de Junho de 2005