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OLHAR EMOCIONADO - ALÍCIA UCHÔA

A história das três irmãs cegas que viraram cantoras rende documentário poético e cativante

Sensível e engraçado na dose. Dramático sem ser piegas, A Pessoa É Para O Que Nasce conta a história de Maria, Conceição e Regina, mais conhecidas como Maroca, Poroca e Indaiá. Três irmãs cegas de nascença, que ganharam os palcos depois de décadas usando a música para pedir esmolas nas ruas de Campina Grande, na Paraíba. As dificuldades físicas, financeiras e emocionais da família são contadas como em capítulos, no grande trunfo do documentário, que filmou as três personagens durante oito anos e conseguiu retratar as duras faceta da vida das paraibanas e momentos de glória, como a cena em que tocam com Gilberto Gil, Otto e são recebidas pelo presidente Lula no Palácio do Planalto, em Brasília.

As cenas antigas e imagens de reportagens anteriores da cegas, alteradas com momentos captados durante idas e vindas da equipe do diretor Roberto Berliner ao Nordeste, compões um conjunto de fotografia encantadora, permeado de ótimas tiradas de humor do trio, que dá uma lição de vida talento e simplicidade no filme.

Apesar de em determinado momento parecer meio arrastada, a virada de vida da personagens faz a história também dar uma guinada e trazer o espectador de volta. A frese título, dita por elas durante as filmagens, resume o misto de resignação com determinação das três. Com trilha sonora adequada, o documentário conta com boa montagem e tomadas e câmera que faz, por vezes, o público não enxergar, só ouvir ou se sentir cego, dependendo da situação. Boa dose de realidade com um quê de poesia. , 03 de Junho de 2005