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TvZero
PAIXÃO À NENHUMA VISTA

"Algo tão emocionante e bonito assim merece ser visto por muita gente, embora as próprias protagonistas não possam ver de modo convencional"

Era começo de abril, baixei minhas mensagens eletrônicas daquele dia e imediatamente passei a despachá-las conforme a urgência ou motivação. Uma delas me chamou a atenção: vinha da produção de um documentário que me convidava a participar da trilha sonora alternativa a ser lançada junto com o projeto cinematográfico.

Precisavam de resposta urgente e definitiva. Eu nunca havia trabalhado com aquele diretor que me contatava, movido apenas por pura empatia. Deixavam ao fim do e-mail a seguinte frase: “Esperamos que você se apaixone pelo filme também!”.

Algumas vezes relevamos os “urgentes” que nos aparecem, assim como as auto-indicações muito positivas de um remetente.

Neste caso, o tema me interessou imediatamente: a história de três irmãs cegas cantoras. Li a sinopse e visitei o site que promovia o filme junto a festivais, patrocinadores, parceiros e imprensa. Era um projeto de sete anos, que tomava sua forma final naquele momento. No início foi apenas um tópico num especial para TV sobre música de rua. Depois transformou-se num curta, mostrado com sucesso em festivais dentro e fora do Brasil e agora estava sendo lançado sob a forma de um documentário de 80 minutos.

A pessoa é para o que nasce, documentário do carioca Roberto Berliner, está em sua fase de maior provação: continuar em exibição pelo maior tempo possível. Por enquanto, apenas algumas salas ainda restritas ao Rio e São Paulo apresentam aos espectadores a história de Maria, Poroca e Indaiá, que ainda hoje sobrevivem cantando pelas ruas de Campina Grande.

Torço para que essa produção ganhe matéria digna de palavras mais especializadas neste jornal, pois o filme ainda não estreou oficialmente nas salas de nosso Estado. Aliás, espero mesmo que haja interesse por parte dos exibidores daqui. Algo tão emocionante e bonito assim merece ser visto por muita gente, embora as próprias protagonistas não possam ver de modo convencional. Elas enxergam detalhes ao seu redor pela sensibilidade adquirida na deficiência. Captam e transmitem sentimentos sem pudores. Elas se apaixonam pela visibilidade a que têm sido expostas, tocando em festivais ao lado de nomes importantes de nossa música. E elas nos cantam a vida real, melhor dizendo, a vida sem realeza e suas coincidências trágicas, dos limites entre ficção e realidade, entre fama e fome.

Li que as três irmãs apareceram recentemente num capítulo de novela e que devem estar mais conhecidas do que nunca depois desses minutos de horário nobre. Mas acreditem, nenhuma trama ou roteiro vai lhe comover mais do que a oportunidade de conhecê-las nesse documentário.

Deixo aqui o site do projeto para que vocês possam conhecer mais detalhes dessa história: www.apessoa.com.br

Eu me apaixonei pelo filme de verdade e queria repartir isso com todos vocês. O que não se vê é o que mais se sente. , 10 de Junho de 2005