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UMA MANEIRA DE VER A VIDA

Sexo, amor, música e morte. Tudo normal se esse não fosse o enredo de três irmãs cegas, que vivem, trabalham, amam e cantam juntas em Campina Grande. As três ceguinhas da Paraíba, que apareceram recentemente na novela América, com Jatobá (Marcos Frota) e Flor (Bruna Marquezine), são as personagens que dão lição de vida e arte em A pessoa é para o que nasce, documentário de Roberto Berliner, que tem pré-estréia hoje no Odeon Br e que entra em cartaz sexta-feira.

Da miséria de quem passou a vida cantando e tocando ganzá para pedir esmola, Maria, Regina e Conceição passaram por provações como fome, abuso sexual, traição e morte até serem descobertas por Berliner, que passou oito anos, entre indas e vindas, filmando o trio. “Eu ia lá querendo terminar um longa -metragem , mas voltava e percebia que não o tinha. Pensei em desistir várias vezes”, admite o diretor, que fez um curta homônimo que levou as irmãs a tocarem em Salvador e São Paulo, dividindo o palco co Gilberto Gil e, mais tarde, a receber homenagem do presidente Lula. Depois da novela, as irmãs ficaram conhecidas e houve quem deixasse de lhes dar esmolas na Paraíba acreditando que as três já estavam ricas.

Marcos Frota e Bruna Marquezine, cegos de ‘América’, estarão lá hoje

“A partir daí o filme dá uma virada e elas começam a tomar o poder da coisa. O filme modifica a vida delas e a vida delas modifica o filme”, conta Roberto, que acabou despertando a paixão de Maria. “A história tomou uma proporção e eu acabei virando personagem do file. Mas tive que esclarecer as coisas para continuar a filmar”, lembra ele, encantado pelas irmãs. “Me apaixonei por elas, de outra maneira, claro. É um filme sobre o amor e o destino.”

, 31 de Maio de 2005