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DE OLHO NA INSERÇÃO SOCIAL

Se a pessoa é para o que nasce, como afirma Maroca, protagonista cuja fala, de tão espontânea, acabou sugerindo o título do filme sobre as três Ceguinhas de Campina Grande, Josélia Almeida, diretora-secretária da Sociedade de Assistência aos Cegos está certa de que nasceu para tomar a frente da luta pela integração de deficientes visuais na sociedade. Hoje, não só dá nome à biblioteca braille da entidade, como passou a ser jocosamente chamada de ''insistente social''. Ela e quatro professores do Instituto Hélio Góes, que fizeram as vezes de intérpretes do grupo convidado pelo Espaço Unibanco para a sessão fechada do documentário A Pessoa é para o que Nasce, aproveitaram o encontro para distribuir material institucional e divulgar o alfabeto braille.

''Aprenda o alfabeto em relevo que você não terá problemas quando acharem a sua agenda e quiserem lhe investigar. Se os deputados envolvidos na CPI dos Correios soubessem disso, hein, teriam hoje bem menos provas contra eles'', diverte-se. Coordenando desde a década de 1960 a sociedade sem fins lucrativos fundada em 1942, Josélia gaba-se do trabalho da equipe multidisciplinar responsável pela educação, saúde, profissionalização e inserção social da pessoa portadora de cegueira. Braço extensivo, o Instituto Hélio Góes concentra a escola fundamental, onde é possível cursar do maternal à 6º série, além de aulas de informática, teatro, artesanato, coral, orientação e mobilidade. Paulo Roberto Cândido, professor de informática, diz que o grupo já vinha participando de uma lista de discussão na internet, através do programa Dosvox, onde o filme A Pessoa é para o que Nasce entrou em foco.

Há ainda uma rádio virtual especialmente voltada para deficientes visuais que vem funcionando como meio de intercâmbio cultural entre deficientes visuais de todo o País. ''É importante que os deficientes visuais tenham acesso não só às informações como também aos espaços disseminadores de educação e cultura. A iniciativa do Espaço Unibanco em convidá-los para uma exibição especial deveria ser copiada por outras instituições e virar regra. Os alunos querem participar da vida cultural da cidade'', defende. A recíproca é verdadeira.

Assim, Helô Sales, professora de artes, anuncia e convida para a quadrilha organizada pela instituição, próximo dia 29, a partir de 17h30min. ''Depois que cheguei ao Instituto enxergo tudo, antes eu não enxergava nada. Participo das festinhas e até croché eu faço. O tempo passa e eu nem vejo'', credencia Francisca Tavares de Lima, 78. (EP) , 24 de Junho de 2005