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AS LUZES QUE VEM DO INTERIOR

Documentário “A pessoa é para o que nasce” entra em cartaz hoje na sala 3 do Mag Shopping

O documentário “A pessoa é para o que nasce”, do diretor Roberto Berliner, entra em cartaz, hoje, às 20h50, na sala 3 do Multiplex, no Mag Shopping, em Manaíra. O filme nara a vida de Maria, Regina e Conceição, as três irmãs cegas de Campina Grande que vivem tocando ganzá em troca de esmolas nas principais feiras do Nordeste. O ministro da cultura Gilberto Gil participa do elenco. O filme teve seu lançamento em Minas Gerais depois de já ter sido lançado em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Na Paraíba, com apoio do Governo do estado, a avante premiére aconteceu no dia 8 deste mês, no Iguatemi, em Campina Grande e, no dia 9, no Mag Shopping, em João Pessoa.

A notícia foi dada pela Rádio Borborema: “Ceguinhas de Campina viram estrela de cinema”. Esta foi a chamada no programa matutino Borborema, às 7h, quando os radialistas informavam aos ouvintes o lançamento do longa-metragem “A pessoa é para o que nasce”, com a participação das irmãs Francisca Conceição Barbosa, Maria Barbosa e Regina Barbosa, conhecidas carinhosamente por Indaiá, Maroca e Poroca. Do outro lado, a notícia surpreende as protagonistas campinenses que, de acordo com Regina, “quase cai” ao saber da repercussão do filme.

“A pessoa é para o que nasce” conta o amor, o destino e a sedução do cinema na visão de três irmãs cegas: Regina, Maria e Conceição. Unidas pela peripécia incomum do destino, elas viveram cantando e tocando ganzá em troca de esmolas nas cidades e feiras do Nordeste. O filme de Berliner acompanha os afazeres cotidianos destas mulheres e revela as curiosas estratégias de sobrevivência, da qual participam parentes e vizinhos. E, num efeito cinematográfico, transforma as três irmãs em celebridades.

Para o crítico Carlos Alberto de Mattos, “A pessoa é para o que nasce” é um exercício no fio uma lâmina. “Nada mais arriscado do que filmar quem não vê, portanto, não controla a forma como se dá o ver”, afirma. Ele destaca que a cena final com o banho ao ar livre, considerada uma das mais polêmicas do documentário de uma coragem notável. “Berliner confronta os preconceitos estéticos do espectador e impõe uma poética bruta que paira acima, além da beleza. O desnudamento físico de Maria, Conceição e Regina apenas uma parcela irrisória do quanto elas se dão a um projeto que ajudou a transformar suas vidas”, analisa.

Um filme que transforma a vida– Em 1997, durante as filmagens da série de TV “Som da rua”, sobre músicos anônimos, o diretor Roberto Berliner conheceu as irmãs Regina, Maria e Conceição. Como elas já não cantavam mais nas ruas, não possuíam mais ganzás, sem os quais não se sentiam à vontade para cantar. Enqaunto a produção providenciava novos instrumentos, a equipe teve a oportunidade de conversar longamente com ás três. A imagem para o programa foi realizada, mas Roberto deixou o local tão impressionado com o que ouviu, que decidiu que ás três ceguinhas seriam o tema de seu próximo filme.

Alguns meses depois, Roberto Berliner voltou ao nordeste com o roteiristas Maurício Lissovisky e uma câmera digital, para uma série de entrevistas que serviam de base para a elaboração do roteiro. Com o apoio do Ministério da Cultura, este material de pesquisa serviu de base para a edição de um curta-metragem, que serviria ainda como laboratório de linguagem para uma obra de maior fôlego. O curta “A pessoa é par o que nasce”, com seis minutos de duração, foi lançado em 1998 e ganhou muitos prêmios, no Brasil e no exterior.

Partiu-se então para a produção do longa-metragem. As primeiras filmagens ocorreram ainda em 1998 e, no ano seguinte, com o apoio do Itaú Cultural e do Jan Vridjman Fund, fundação ligada ao maior festival de documentários do mundo, o IDFA, elas puderam ser intensificadas.

A repercussão da série Som da rua, bem como do curta “A pessoa é para o que nasce”, fez com que a música das três irmãs cegas de Campina Grande chegasse aos ouvidos de Naná Vasconcelos e Gilberto Gil, curadores do PercPan. Elas foram convidadas para participar do festival como “artistas profissionais’, recebendo cachês pelas três apresentações que fizessem, em Salvador e São Paulo.

Diretor fundou o Circo Voador - Carioca, 47, é diretor de vídeo-clipes , filmes publicitários e documentários. Foi um dos fundadores do Circo Voador, onde fez uma série de filmes sobre o movimento de artistas envolvidos com os projetos de música, dança, teatro, circo, além de iniciativas em comunidades carentes. Pioneiro na direção de clipes realizou “Alagados” e “A Novidade” para os Paralamas. Mais tarde viria a conquistar prêmios com trabalhos como “Mandrake e os cubanos” e “Partida de futebol”, ambos da banda mineira Skank e “Cachimbo da paz” de Gabriel o Pensador. Seus documentários também foram premiados no Brasil e no exterior, entre eles: “Angola” (1988), “God for all” (1993), “Soma da rua” (1997), “A pessoa é par o que nasce – o curta” (1999) e “A afinação da interioridade” (2002). Roberto Berliner é sócio da produtora carioca TV Zero.

CD reúne canções das três irmãs - Junto com o filme de Berliner está sendo lançado um cd duplo das três irmãs. O primeiro disco traz, na integra, as canções originais interpretadas por elas no filme; o segundo apresenta recriações destas músicas por grandes artistas da cena musical contemporânea.

Do CD participam nomes como B Negão, Otto, Zé Renato, Teresa Cristina, Lenine, Júnior Barreto, Mombojó, Pato Fu, Elba Ramalho, Lula Queiroga, Silvério Pessoa, Paralamas do Sucesso, Pedro Luís e A Parede, Lirinha e Bráulio Tavares, entre outros. O CD duplo de “A pessoa é para o que nasce” estará disponível nas lojas a partir de julho. , 15 de Julho de 2005