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TvZero
SEM ATRAPALHAR A HISTÓRIA

Um grande documentário, muitas vezes começa com uma grande história. É o caso de “A pessoa é para o que nasce” (Brasil 2005), em que o diretor Roberto Berliner prestou atenção a três velhinhas de Campina Grande e percebeu que ali tinha uma história especial. E aí, prestou mais atenção ainda a elas desde então, fez um curta sobre elas e, agora, este longa.

Como registro é fenomenal. Berliner resgata a trajetória das senhoras cegas que pediam esmola cantando nas ruas de Campina Grande através de imagens e reportagens das décadas de 1960, 1980 e 1990. Como começou a filmá-las em 1998, ele completou esse registro que já existia espontaneamente.

O longo processo de filmagem acabou criando uma intimidade entre o diretor e das personagens, o que modificou decisivamente suas vidas. Por isso não é de estranhar que ele apareça no filme e até em situações bem delicadas. “A pessoa é para o que nasce” também é uma cinebiografia de Berliner.

O filme também não precisa de grandes vôos narrativos para encantar. O diretor parece saber a força do tema que tem em mãos e o registra com o máximo de naturalidade. É mesmo comovente ver a entrega de Maroca, Poroca e Indaiá ao registro de suas vidas, a beleza do filme vem muito daí.

Ah, e tem a cena da nudez em Tambaba. Poderia ser ofensiva, mas na verdade, acaba existindo uma pureza no ar, quase como se fossem bebês tomando banho. Um trabalho de direção louvável. , 20 de Julho de 2005